segunda-feira, 9 de junho de 2008

Próxima Estação: Central do Brasil (Piloto)

Todo mundo sabe que o transporte público no Rio de Janeiro não é lá essas coisas, ok. Os ônibus são caros e desconhecem licitação, o metrô é o mais caro do mundo e mais parece um trem levando judeus para um campo de concentração. Hitler se sentiria homenageado se visse um metrô do Rio hoje. Das barcas nem é preciso falar nada, acidentes na baía e embarcações à deriva falam por si. Bicicleta? Piada, né? Se você tiver grana pra morar na Zona Sul, talvez encontre uma ciclovia pra andar com a sua. É claro que pra quem gosta de fortes emoções, a Linha Vermelha está sempre ali. Aliás, bike na Linha Vermelha deveria ser uma categoria dos X-Games.

Mas chega de enrolação e vamos direto ao assunto: os trens urbanos fluminense. Alguém se lembra de como eram os trens quando a rede sucateárea, digo, ferroviária foi concedida à SuperVia em 1998? Claro que não, já que somente uma leitora minha (33,333...% do total) já andou de trem. Então já que ninguém sabe, eu conto:

- Uma viagem de Belford Roxo até a Central não levava menos de duas horas (hoje leva 53 minutos).
- Pegar um trem sem tomar antitetânica era suicídio.
- Trem saindo no horário programado? Nem se o condutor fosse obsessivo-compulsivo.
- Perder um trem significava algumas horas mofando na estação até chegar o próximo.
- Morrer no trem era super normal. Era só um metido a esperto querer dar uma de fodão e... Pronto. O corpo caía de lá de cima do trem igual a um carvão, prontinho pra sair na capa do Dia. Acreditem, isso era mais comum do que botafoguense chorão.
- E as pedradas então? Os favelados faziam o trem de bateria de escola de samba. Era só ouvir o criadouro de tétano chegando que os pivetes iam correndo pegar pedras pra brincar de tiro ao alvo com as cabeças dos passageiros.

Eram tempos difíceis aqueles. Além disso, o Fernando Henrique era presidente, o Garotinho era o governador, a seleção perdia a Copa da França e não existia internet banda larga (na minha casa ainda não existe ¬¬).

Os novos trens coreanos da SuperVia

Eu não quero aqui fazer nenhuma homenagem à SuperVia porque isso não vai me dar nem um café da manhã de graça na estação (e olha que só custa 35 centavos). Só quero dizer que nada daquilo ali em cima acontece mais, mas ainda assim o trem é um laboratório com amostras típicas do subúrbio fluminense e vou falar mais sobre isso no próximo post. Vocês vão ver que o trem é muito mais do que uma caixa de metal barulhenta.

3 comentários:

Arthur disse...

As barcas eu não sei, mas os catamarãs são bons... Pelo menos quem vai duas vezes por ano como turista se diverte vendo os aviões pousando no Santos Dummont.

"Morrer no trem era super normal. Eu mesmo já morri umas 2 ou 3 vezes..." :)

Unknown disse...

fala mauro
nem imaginava que essas coisas todas aconteciam nos trens
e tu escreve muito bem mesmo
parabéns

*AninhaH RamoS* disse...

"O corpo caía de lá de cima do trem igual a um carvão, prontinho pra sair na capa do Dia. Acreditem, isso era mais comum do que botafoguense chorão."

Nem falo nada! =PP