sábado, 14 de junho de 2008

Próxima Estação: Central do Brasil - Perfis

Nesse post da série sobre trens urbanos do Rio, o foco é o público da minhoca de metal. Dentro de um trem existem os tipos mais diferentes de pessoas. Algumas são folclóricas e a maioria só serve pra incomodar e interromper o silêncio da nossa viagem. Ok, silêncio é só força de expressão já que a sinfonia metálica do trem é digna de uma apresentação no Rock in Rio. Mas vamos aos exemplares encontrados nos trilhos:

  • O suburbano comum – dispensa maiores descrições. É uma pessoa normal, ao contrário dos metidos a alternativos que contaminam a ECO. Geralmente é aquele homem/mulher trabalhador, um proletariado explorado pelas empresas capitalistas selvagens que só pensam nos lucros (contra burguês, vote 16! PSTU!).
  • Habitat - É o exemplar mais comum, encontra-se em todos os vagões.

  • O morador da “comunidade” – esse é o pior tipo que freqüenta o trem e é o maior responsável pela sua má fama. Ele geralmente mora no Jacarezinho, fala como um marginal, age como um marginal, costuma ser torcedor do Framengo, fica andando pra lá e pra cá quando o trem está vazio, se ajoelha no banco pra olhar pela janela, não consegue manter uma conversa a menos de 137 decibéis e é tão educado quanto um pitbull babando espuma. (Obs.: um suburbano comum pode morar na “comunidade” sem se encaixar nesse perfil).
  • Habitat - O último vagão, onde pode fumar e cheirar livremente.

  • O pastor – Tá... Não dá pra dizer que o favelado é o pior tipo que tem no trem. No que se refere a incomodar viagem, ninguém faz isso tão bem quanto o pastor. Ele não se importa se você não é da igreja, não se importa se você não é cristão, não se importa se você votou no Cesar Maia, ele não faz distinção, grita e incomoda a todos por igual. O pastor parte do pressuposto que todos os passageiros do trem vivem em pecado e vão pro inferno. A missão dele é fazer com que você se sinta mal, te comparar a assassinos em série e te deixar mal-humorado. Se você quiser ler alguma coisa, pode esquecer, quanto menos atenção você presta, mais ele grita. Mas é bom ressaltar que isso deixa todas as outras pessoas no direito de manifestarem suas religiões no trem, então o dia em que aparecer um monte de baianas de branco cantando e fazendo despacho no vagão, nenhum crente vai ter direito de reclamar. E ainda vai ter que cheirar fumaça de charuto e cantar pra subir.
  • Habitat – Não é bem definido, geralmente estão no segundo ou no terceiro vagão, mas eventualmente invadem o primeiro.

  • As ovelhas do pastor – O que seria de um pastor sem suas ovelhas, né? Nos horários de rush elas estão sempre lá. Elas cantam, gritam, choram, dão testemunho e ainda tocam pandeiro dentro do seu ouvido. Amém igreja? Amém, brother.
  • Habitat – Geralmente são encontrados grudados no saco do pastor.

  • Os jogadores – Esses até que são divertidos, apesar de barulhentos. O cassino deles não precisa de nada além de um baralho e uma pasta que sirva de mesa. É jogatina do começo ao fim da viagem.
  • Habitat – As extremidades do primeiro vagão.

  • Os estudantes – Esse tipo se mistura facilmente ao suburbano comum, ser com quem convive sem problemas. Os estudantes universitários (tipos raríssimos, mas que estão começando a se multiplicar) costumam se vestir melhor do que a média e é o único grupo onde se encontram exemplares bonitos do sexo feminino. Existem também os estudantes do fundamental, que são um pouco mais comuns que os universitários e também convivem sem problemas com outras espécies.
  • Habitat – Todos os vagões.

  • O importante – Esse é ainda mais raro que os universitários. Pode ser identificado pela roupa que usa. Camisa de botão e eventualmente até terno, porém raramente usa pasta, geralmente está de mochila. Exemplares femininos são raros nessa espécie.
  • Habitat – Qualquer vagão (raramente há mais de um no mesmo trem).

  • A escandalosa – Essa espécie vive em inquilinismo com os moradores da “comunidade” e é mais fácil de ser encontrada entre os jogadores. Barraco é com ela mesmo. Gosta de aparecer, de falar alto, de zoar os muitos homens que sempre estão em volta dela. Ela é a rainha deles e só é o que é porque eles estão por perto.
  • Habitat – Qualquer vagão, porém é mais comum no primeiro.

  • Os vendedores – Esses sim representam o clássico folclore ferroviário do Rio de Janeiro. Vendem de tudo. Alho, baralho, cotonete, escova de dentes, Maxi, Halls, pipoca doce, picolé, cerveja, água, fone de ouvido, radinho de pilha, pilha pro radinho, paçoca, amendoim japonês, amendoim em cone, pingo de leite, naftalina, essência de amaciante, jujuba, bala, descascador de alimentos, jornal Extra, Expresso, O Dia, Meia Hora... Não há nada que esses caras não vendam.
  • Habitat – Andam por todos os vagões.

Esses são os tipos mais comuns e que mais me chamam atenção no trem. Vou concluir logo esse post porque estou caindo de sono e escrever muito nessas condições resulta num texto de merda que descamba pras palavras de baixo calão e acaba tornando a leitura desagradável e de baixo nível. Agradeço aos que leram até aqui. Durante essa semana vou tentar desenvolver um post sobre a Festa dos Calouros 2008.1 (se eu lembrar dela, claro).

4 comentários:

*AninhaH RamoS* disse...

"E ainda vai ter que cheirar fumaça de charuto e cantar pra subir."
HAUHUASASUAUSHAUSHUASUHAHAUHUSHUAHS

Quero soh ver o seu post da Festa!

sumeris disse...

Moço, faltou a turma dos fedorentos!
Ou eles se encaixariam na "ala" da comunidade? Não tem coisa pior que pegar o trem as 5 da madruga, um cidadão levantar o braço e caírem meia dúzia em volta dele.
Ainda bem que me livrei do trem, mas não sei o que é pior... o trem, ou o 758 cheio de peão. rsrs
Um abraço.

Unknown disse...

Cara a sua descrição sobre os diversos tipos que passam pelo trem foi d+. rrsrsrsr
É exatamente assim q eles são.
Eu, é claro ando de trem tbm e me encaixo no grupo dos universitários, mas só fico quieto quando estou sozinho, pois quando estou com os amigos fico rindo de todos os tipos que aparecem no trem. Aliás vc sabe bem disso.
Falta vc colocar sobre akeles q dormem e parecem akeles brinquedos de petshop que ficam mexendo a cabeça como se estivessem quicando.rsrsrs.
Parabéns

B.H. disse...

Nossa, caí aqui por acaso, mas adorei seu blog.

Parabéns! Vc manda bem!

Essa história dos perfis é fato...Estudo na Central e sei bem como é...hahaha

Bjinhos