sexta-feira, 7 de março de 2008

Um dia ganho!

Hoje vou fazer um relato curto. Por dois motivos: primeiro porque eu tive que sair cedo da ECO e segundo porque eu acordei às 5:30h da manhã e só agora (21h depois) eu consegui parar em casa. Escrevo isso enquanto minha maravilhosa conexão discada envia pro YouTube o vídeo que eu prometi.


Hoje eu cheguei à ECO vindo da longínqua Ilha do Fundão, onde fui rever meus colegas da arquitetura. Me diverti bastante com eles, ri, lembrei das histórias que nós passamos (e que mereciam um blog pra contar) e fiquei feliz. Interessante era cruzar com as pessoas no corredor e ouvir todo mundo perguntar: “Ué, você voltou?”. Enquanto conversava no corredor, vi passar um cara que tinha sido meu veterano quando eu entrei pra FAU. E lembrei que ele tinha ajudado no trote segunda-feira. Eu fiquei indignado! Ele tinha me dado trote na FAU e trote na ECO! Com que direito ele fazia isso? Cheguei a comentar isso com algumas pessoas. À tarde, na ECO, reencontrei esse cara e tive que perguntar: “Você faz arquitetura, né?”. Ele nem pensou pra responder: “Aquele é meu irmão. E eu sou seu veterano”.


PÁRA O MUNDO QUE EU QUERO DESCER. EU FUI CALOURO DE UM CARA E NO ANO SEGUINTE SOU CALOURO DO IRMÃO GÊMEO DELE? QUAIS AS CHANCES DE ISSO ACONTECER?


Bem, nessa quinta-feira tivemos o ECOturismo, passeamos pelo campus, conhecemos um pouco mais os locais e vimos melhor a beleza do nosso palácio. Foi realmente um passeio turístico. Até turista embasbacado com câmera tinha (yo). Por falar em “yo”, finalmente conversei com o tal paraguaio. O português dele é ótimo, só falta perder o sotaque (que ele não percebe que tem. Essa é uma vertente curiosíssima de se estudar uma língua estrangeira).


O auge do dia foi o pique-nique. Eu só queria ter curtido mais, porque parece que rolaram altas paradas depois que eu fui embora. Mas valeu a pena ter saído mais cedo. Assim eu pude rever a menina que eu passei 30 minutos procurando no prédio de letras hoje e saber que ela terminou com o namorado (\o/). Eu nem queria, né? Sem contar que eu matei as saudades de conversar sobre política com gente inteligente. Nada de marxistas utópicos ou de militantes da esquerda radical, e sim gente centrada e com a cabeça no lugar. Eu sentia muita falta disso.


Ah, só pra constar, quanta fartura teve no pique-nique! Tinha muita comida, muita mesmo. E comida boa. Até Pringles light alguém levou.


E por hoje é só isso. Espero ter boas histórias de sexta-feira.

quarta-feira, 5 de março de 2008

Azul

Começo a escrever este post depois da linda vitória do meu Tricolor das Laranjeiras sobre o Arsenal no Maraca. Desculpem aê aos que ficaram acordados até mais tarde só pra secar meu time, mas meu Fluzão foi impecável hoje.


Mas vamos ao dia na ECO.


Palestras interessantes, assuntos relevantes, oficina produtiva, pré-estréia de filme... Incrível como as coisas estão caminhando bem essa semana! Primeiro foram as palestras falando sobre as habilitações. Os professores conseguiram expandir a minha dúvida. Agora comecei a considerar também rádio e TV, mas publicidade e jornalismo ainda estão bem na frente. Além disso, foi importante ver que na ECO não estamos lidando com pessoas quaisquer, é gente do mais alto escalão encabeçando o curso. Depois das apresentações, ainda teve uma palestra/bate-papo sobre mídia eletrônica no Brasil. FODA, com todas as letras! Se tivéssemos mais tempo e menos fome, poderíamos ter debatido assuntos ali durante horas. As questões levantadas certamente rendiam muito assunto.

Palestras encerradas, iniciaram as oficinas. A de criação publicitária foi espetacular. Tivemos muitas idéias legais e depois de algum polimento conseguimos produzir um conceito muito interessante e um anúncio que não seria só mais um no meio da poluição em que transformaram a propaganda.


Às 15h tivemos a pré-estréia do filme Fim da Linha. Uma excelente e interessantíssima produção. Não é daqueles filmes imbecis que só cinéfilos gostam. É um filme muito diferente e curioso, em alguns momentos até divertido. Segundo o diretor, o orçamento do filme foi de R$ 1.300.000,00. Nunca imaginei que cinema fosse tão caro. Tudo bem que o filme é bem produzido e teve até uma divulgação legal dentro da ECO (não sei como foi fora), mas é uma pena como o cinema brasileiro sofre pra poder conseguir um espaço dentro do próprio país, fora ter que vencer o preconceito do público brasileiro, que parece só querer ver os filmes da Globo Filmes e olhe lá. Já cansei de ouvir: “Lá vem você com essa mania de filme nacional. Filme brasileiro é uma merda!”. É uma pena ouvir isso.

Por fim, embarcamos para o Sujinho, onde depois de algumas cervejas (quentes), a galera se animou e colocou o Gabo e o Michel (que despertou uma paixão no diretor do filme Fim da Linha) pra dançar “Daniel Arcângelo” e “Felipe Herzog”, este último na companhia de Dario. Ainda bem que eu estava com uma câmera! Agora posso compartilhar com todo o mundo esse momento cativante. Vejam o vídeo abaixo.


(Em breve. YouTube estava em manutenção. Amanhã eu ponho o vídeo aqui)


Pra finalizar, umas partidinhas de sueca e mau-mau. Baralho não pode faltar nessa faculdade. O dia que acabarem com o baralho e com a cerveja, não vai mais existir social na Praia Vermelha. Aviso aos navegantes: a cerveja foi proibida na reitoria, espero que isso não chegue pros lados da Urca.


E por hoje foi isso. Amanhã vou levantar cedo pra ir ao Fundão, zoar uns calouros de arquitetura, rever meus colegas de lá e rir da cara dos professores escrotos. Até amanhã.

terça-feira, 4 de março de 2008

Oficina de Sujinho

Hoje foi um ótimo dia: não fomos humilhados (pelo menos não na maior parte do tempo), não fomos pintados, não extorquimos pessoas nas ruas, não assustamos transeuntes, ninguém olhou torto pra gente no caminho de volta pra casa... Foi tudo ótimo!


Fora beber e jogar sueca, a única atividade do dia foi a oficina. Na verdade havia milhares delas, mas cada calouro só podia participar de uma. Eu escolhi criação publicitária, mas a dúvida foi cruel, porque muitas outras também pareciam muito boas.

Uma coisa que eu percebi é que eu ainda vou queimar muito a minha língua nessa faculdade. Mas não vai ser uma queimadurazinha superficial não. Vão ser muitas queimaduras de 20º grau! Todo mundo que me conhece sabe que eu e a Globo nos amamos tanto quanto o Brasil e a Argentina. E pelo que eu vi lá, o evento que eu mais gostei, também é o evento que a Globo gostou muito: o Interseção. O projeto é excelente e sem dúvida eu vou querer participar. Mas claro que isso não é pra agora. Deixa o tempo passar e veremos como as coisas vão acontecer.

Após as oficinas... Sujinho, claro. Eu devo ter ficado mais de 4h lá. Até o final da faculdade eu viro alcoólatra e jogador. Hoje finalmente aprendi a jogar sueca (valeu, Gabo). Eu não podia entrar pra ECO sem saber jogar sueca, imagina que absurdo!

Mas pra coroar o dia, rolou uma brincadeira improvisada. Os calouros de direção teatral estavam tomando trote perto do Sujinho. Os veteranos de comunicação levantaram pra ver e menos de 5 minutos depois já tava sobrando pra gente, pra variar. Nos fizeram formar duas filas, uma de direção teatral e uma de comunicação, com os da ECO na frente, pra dançarmos “Daniel, Daniel Arcângelo” e depois “Felipe Herzog”. Aí aproveitaram pra avacalhar um pouco a nossa vida. Pediram pro nosso querido Calouro Etiópia (Dario) tirar a camisa e exibir seu físico, sendo posteriormente medido e comparado com uma pessoa não-subnutrida. Mas o melhor mesmo foi a veterana de direção teatral ensinando os passinhos de comissão de frente. Foi bem divertido. Na verdade foi tão legal que os veteranos resolveram unir os trotes de novo no dia da gincana.


Com certeza vem coisa aí... E não vai ser nada bom (pra nós, calouros, claro).

segunda-feira, 3 de março de 2008

Agora eu sou calouro e ninguém vai me segurar

Daquele jeito!


Começo esse tópico com uma promessa solene:


Ele não será gigantesco.


E vou me esforçar ao máximo pra que ele seja interessante.


Mais uma vez me perdi naquele palácio imenso. Na verdade ele nem parece tão grande assim, mas o problema ainda continua sendo o mesmo: tudo parece o mesmo lugar. Os pontos de referência é que salvam e ainda assim é difícil andar lá.


No auditório do CPM as pessoas conversavam animadamente, falavam alto, contavam intimidades de MSN como se fossem amigos de infância. Eu me senti O excluído da situação. Peguei o jornal do SINTUFRJ e fiquei lendo enquanto ouvia música. Com o tempo chegou o Henrique, depois a Vanessa e nós fomos pro fundão do auditório atrapalhar o câmera. Tá, a intenção não era essa, mas a gente incomodou um pouquinho. Tínhamos uma visão panorâmica de todo o local, quando vimos adentrar o ambiente nada mas nada menos que Dario vestido com uma camisa azul (?) altamente psicodélica, cheia de manchas multicoloridas,que faria qualquer usuário de LSD largar o ácido por causa da dita cuja.


A palestra foi maravilhosa. Só confirmou tudo o que eu sabia e esperava da comunicação e do mercado. Mas os mais atentos devem ter percebido que aquilo ali foi uma sessão de implantação do modelo capitalista contemporâneo. Eles falavam da perda dos direitos trabalhistas como se fosse uma vitória maravilhosa e julgavam os trabalhadores de carteira assinada como meros “apertadores de botões” arcaicos. Ok, deixando isso pra lá, o que importa é que nós somos mesmo muito privilegiados por estarmos nessa faculdade. Na ECO os coordenadores e diretores são muito próximos dos alunos, são simpáticos pra caramba e contribuem para a guerrinha entre as habilitações. Ah, eles também aproveitaram pra defender o REUNI de uma forma extremamente sutil, quase como uma mensagem subliminar profética.


Findada a palestra, seqüestramos nossa veterana Thais e a levamos para o Rio Sul. Almoçamos e voltamos à ECO para começar o tormento. Mas antes disso tivemos que dar uma zoada nuns calouros que estavam tomando trote lá. Gritamos com eles como se fôssemos veteranos e ninguém nem se deu conta de que éramos calouros. Ofereceram até ovos pro Dario jogar neles.

Tchan, Créu, Oh Happy Day e o Piripiri da Gretchen foram a trilha sonora do trote. A queimação de filme começou devagar. A caloura disse que só entrou na faculdade pra fazer sexo, depois preferiu não responder à pergunta sobre se preferia “fazer sexo com homens, mulheres ou homens e mulheres... E brinquedos”. Logo depois o amigo dela se queimou mais ainda, pois, apesar de se dizer heterossexual, disse que sua posição sexual preferida era... “Ativo”! Hauhauahauhauauha. A sala veio abaixo na gargalhada.

Saímos da sala fazendo uma simpática versão de Loxodonta africana e logo percebemos que até as partes mais íntimas de nossos corpos corriam o risco de saírem sujas dessa brincadeira.


Mas agora já chega porque os calouros (aqueles nos quais vou me vingar de forma cruel e impiedosa) estão lendo isso. Ah, e se até lá a “depilação” da minha perna ainda estiver aparente, não vou ter pena nem se ficarem de joelhos. To me sentindo um leão sem juba desse jeito!


Depois de tudo, começou a ser cogitado uma assunto de praia. Ipanema, Copacabana, Praia Vermelha... “Melhor Praia Vermelha mesmo, já ta aqui do lado, né?”. E fomos à praia: eu, Michel, Gabo, Nicolas, Cibele (nossa sereia), Nathalia e Jaqueline. Amarradões. Tomamos banho, tiramos foto, curtimos a praia, poluímos a água e depois voltamos. Dessa vez tive que tomar meu rumo pra casa. A essa altura eu já tava até perdendo o último trem pra Belford City e tive que voltar de ônibus, que apesar de ser BEM mais caro, é mais confortável e rápido, porque vem catando corno na Av. Brasil. Coisa de louco!


Sei que meu saldo do dia foi:

  • Um capacete de espinhos.
  • Duas queimaduras.
  • 3kg de areia na cueca.
  • Uma bolha no pé.
  • E um sorrisinho besta difícil de tirar da cara.

Do topo ao fundo do poço e do poço de volta ao topo.

Lembro como se fosse ontem... Cheguei à casa do meu tio Mário para passar as minhas tradicionais férias de janeiro em Jacarepaguá. Faltava um dia para a divulgação dos resultados do vestibular 2007 da UFRJ, mas como já era esperado, eles liberaram um dia antes. Assim que eu cheguei, só encontrei meu primo Ciro, que também havia prestado o mesmo vestibular, e falei com ele que a UFRJ provavelmente já tinha liberado o resultado. Dito e feito. Entramos no site da UFRJ e lá estava. Peguei meu número de inscrição e...


PASSEI PRA ARQUITETURA E URBANISMO!!! UHUUU!!!


Bem... Na verdade não foi assim que eu comemorei. Estranhamente, eu sempre tive certeza absoluta de que eu iria passar. Presunção minha? Não. Eu estudei o ano inteiro e seria um burro se eu não passasse pra um curso fácil daqueles. Aliás, até hoje me acho uma anta por não ter passado já em 2006. Mas se eu tivesse passado antes, eu não teria conhecido PH, Everton, Carol, Yuri... Enfim, os amigos mais diferentes e doidos que eu já tive. Ops, olha eu já desviando o assunto. Voltando ao rumo. Quando eu vi que tinha passado eu fiquei feliz, mas disse: “Ah, passei”. Meu pai (que tinha me dado carona até Jaca City), pra não ficar atrás no campeonato de frieza mandou um: “Até que enfim” e começou a reclamar das minhas notas, dizendo que eu precisava melhorar em química e blá blá blá... QUE SE DANE A QUÍMICA! EU NUNCA MAIS VOU ESTUDAR ESSA MERDA! (Não, eu não disse isso, mas pensei). Meu primo Ciro viu o resultado dele e descobriu que não passou e meu pai reclamou das notas dele também. Minha comemoração aconteceu uns dias depois quando juntamos um grupão de amigos + primos e fomos a uma pizzaria rodízio (meu primo Renan, o do blog RenanZices, também estava no grupo. Ele já estudava engenharia no Fundão havia um ano).


E assim fui vivendo meu sonho. Eu estava nas nuvens. Eu era aluno da Universidade Federal do Rio de Janeiro! A terceira melhor do Brasil e uma das melhores do mundo! Começaram as aulas e tudo parecia perfeito: gente nova, rotina diferente, lugares interessantes. Tudo maravilhoso. Mas em algum lugar do caminho eu percebi que eu parecia estar no lugar errado e em meados de abril eu já estava meio confuso sobre tudo. Fui ao EREA (Encontro Regional dos Estudantes de Arquitetura) em Vitória (ES) e fiquei ainda mais confuso, porque eu descobri que amava urbanismo, mas me sentia um peixe completamente fora d’água quando estava com outros futuros arquitetos. Sem contar que eu não gostava tanto assim de criar arquitetura, eu gostava (e até hoje gosto muito) de apreciar arquitetura. Voltei pra casa já imaginando que eu iria mesmo sair da faculdade. Falar isso com a minha mãe foi muito difícil, muito mesmo, não imaginei que seria tanto. Mas essa foi uma decisão que eu só tomei em junho, nas últimas semanas de aula. Ainda lembro da reação dos meus colegas: “Você vai largar isso aqui, cara? Pensa bem. Olha tudo o que você ta largando”.


Alguém aí conseguiu captar a gravidade da situação? EU ESTAVA CANCELANDO A MINHA MATRÍCULA NUMA DAS MELHORES UNIVERSIDADES DO MUNDO! EU ESTAVA TROCANDO UM FUTURO CHEIO DE OPORTUNIDADES POR UMA TENTATIVA QUE TINHA GRANDES CHANCES DE DAR ERRADO. Não sei como calcular as chances das coisas saírem errado pra mim, mas juntemos os fatores:


  1. Segundo curso mais concorrido do vestibular.
  2. Nota de corte altíssima.
  3. Enquanto muita gente estava se preparando desde janeiro, eu estava começando a pensar em me preparar em julho, 5 meses antes do vestibular.
  4. Eu só comecei a estudar de fato na segunda semana de outubro.


Resumindo, era mais fácil o Bush chamar o Saddam de “meu amor” do que eu passar no vestibular. Mas quais eram as minhas opções? Era ou o vestibular, ou a particular, coisa que eu não queria, e as que eu queria eu não podia pagar (vide PUC e ESPM). Na verdade eu não poderia pagar nem a Estácio, mas isso não vem ao caso. Vou resumir o que aconteceu nos meses seguintes.


Julho:

Crise com meu pai (que parece não gostar muito de mim, sabe-se lá por que), e relativa calma por causa da distração proporcionada pelos Jogos Pan-americanos.


Agosto:

Desespero completo. Eu não conseguia estudar em casa, os cursinhos de Nova Iguaçu não estavam abrindo projetos e eu não tinha nenhuma perspectiva de vida. Foi um estresse muito grande e uma quase depressão.


Setembro:

Mês do meu aniversário, que foi o pior da minha vida, de longe. A única coisa boa foi a festa, que acabou mais de 5h da manhã e contou com a presença dos meus melhores amigos.


Outubro:

As coisas começaram a voltar aos trilhos, eu voltei ao pré-vestibular onde eu tinha estudado em 2006 e fui me tranqüilizando. Eu me sentia um babaca. Eu me sentia retrocedendo. Em 4 meses eu fui de universitário a vestibulando numa queda meteórica. Fui desmontado como um carro na mão de um traficante.


Novembro:

A hora da verdade. Eu sou muito católico e, no dia anterior à primeira prova da UFRJ, enquanto eu arrumava a minha mochila encontrei um folder de Santo Expedito, o santo das causas urgentes. Não poderia ser mais apropriado. Mas de onde surgiu aquele folder? Até hoje eu não lembro de tê-lo recebido. Sei que quando eu vi o gabarito das provas no dia seguinte eu senti que tinha me saído muito mal. Achei que tivesse feito menos de 15 pontos. No dia seguinte fui à FAU, revi meus amigos e passei uma tarde maravilhosa lá, mas foi muito estranho estar lá sem ter uma sala pra ir, sem ter um trabalho pra fazer, sem ter materiais pra comprar... Era tranqüilizador e medonho ao mesmo tempo. Depois disso só fiz a segunda prova da UFRJ, mas com uma ajudinha muito especial. Já que relógios digitais eram proibidos, levei um relógio analógico com a imagem de Nossa Senhora Aparecida. Sim, eu sei que imagens não têm poder nenhum, mas imagens aproximam. Se imagens fossem inúteis, não guardaríamos fotos daqueles que amamos.


Dezembro:

Não restava nada a fazer a não ser esperar. Tive outra crise com meu pai, curti o Natal e curti o ano novo.


Janeiro:

Foi um mês bem mais divertido. Eu já tinha superado os problemas de agosto e comecei a me divertir um pouco mais, principalmente por causa das notas surpreendentemente altas que eu tirei. Tomei meu primeiro porre (que não foi lá tão porre assim), aprendi a dançar o créu, saí um pouco mais de casa. Enfim, relaxei. Mas sempre tive um pouco de medo do corte ser 43.


Fevereiro:

Simplesmente o mês mais longo da minha vida. Nunca vi fevereiro tão demorado! Depois de já saber que tinha passado no vestibular e ter extravasado tudo sozinho em casa gritando, pulando, dançando e cantando feito um louco, esperei ansiosamente pra que março chegasse logo. Meu carnaval foi uma droga, viajei pra um lugar horrível e os dias passaram como lesmas. Matrícula, inscrição... Cacete, quando começam logo as aulas? Eu sei que faculdade é um estupro mental diário, mas eu estava de férias desde julho! Já chega dessa vida de vagabundo! Nem minha mãe agüentava mais olhar pra minha cara todo dia em casa.

Agora finalmente chegou o grande dia. Um domingo em que eu vou dormir pensando: “amanhã começa tudo de novo”. Esperei nada menos do que 8 meses por isso, 34 semanas, 238 dias... Eu já não gostava de férias, depois disso então.


Graças a Deus, amanhã retomo o rumo da minha vida. O rumo que eu perdi lá em março de 2005, quando decidi ser arquiteto preterindo uma carreira na comunicação.


O mais interessante de tudo, é que passar no vestibular foi uma realização pessoal. Desde o início eu vi isso como um desafio. Um desafio que eu venci! Mas se não fosse pelos amigos, teria sido uma coisa de mim comigo mesmo, myself and I, como diz uma música, mas meus amigos transformaram tudo em algo ainda mais especial. Eu me senti passando de vergonha da família a herói de Hollywood.


Uma prima e uma amiga dela que eu não conheço:

Prima – Ela é a mãe do Maurinho, aquele que eu te falei.

Amiga – Aquele que eu acho lindo?

Prima – É. E que passou na UFRJ duas vezes.


Minha prima Morena (economia UFF) e meu primo Renan (engenharia UFRJ):

M – Maurinho é filho da puta. Passou duas vezes!

R – Pois é. E essa teve gostinho de volta por cima.


Professora de literatura do pré-vestibular:

Gente, no ano retrasado eu dei aula pra um aluno que queria arquitetura. Ele passou pra UFRJ e no ano passado eu encontrei com ele aqui no curso de novo. Ele disse que tinha largado a faculdade e agora ele passou de novo, pra comunicação social. Ele é um exemplo pra vocês.


Fora os amigos que ficam me lembrando o tempo inteiro que eu passei duas vezes, que eu vou ser âncora da Globo, da CNN, que eu vou ter minha própria agência de publicidade.


O que seria de mim sem meus amigos?


Bem, assim encerro esse post gigantesco. Sei que infelizmente eu não fui o primeiro e nem o último a passar pelo que eu passei nos últimos meses, mas é a vida, né? Sem contar que nem todos conseguem passar de novo. Um colega que abandonou arquitetura um ou dois meses antes de mim não conseguiu passar pra comunicação, uma pena.


Mas então é isso. E que venha o trote!