domingo, 2 de novembro de 2008

O tenebroso dia de finados

É... O próprio nome do dia já anunciava a tragédia que estava por vir nesse domingo. Eu não costumo escrever aqui nesse blog histórias que acontecem só comigo, mas esse dia foi tão tenebroso que eu não podia deixar isso passar.

Tudo começou às 9h15 da manhã, quando eu acordei. Tomei um banho, liguei o rádio para ouvir a Fórmula 1 (a Band News tava cobrindo tudo desde cedo) e fui à missa. Eu costumo ir à missa à noite, mas dessa vez eu resolvi ir de manhã. Eu tinha duas opções pra ir à missa de manhã, a primeira seria às 7h30 no Centro de Belford Roxo e a segunda seria às 10h num cemitério perto da minha casa, o que é uma tradição em dia de finados. Claro que eu escolhi a missa das 10h e lá fui eu a caminho do cemitério. Meus pais e meu irmão já tinham ido um pouco mais cedo.

O cemitério de Belford Roxo é um nojo. Túmulos violados, caixões e ossos expostos, tampões de cova podres que caem... Tudo de mais nojento está naquele cemitério. Só de pensar naqueles mosquitinhos pousando em mim eu tenho vontade de tomar um banho de álcool. Depois da missa, eu descobri que o meu irmãozinho querido arrumou um fêmur pra brincar. Quando ele disse que tinha desenterrado um osso, eu achei que fosse brincadeira, mas era verdade mesmo! Ele já tomou banho, mas eu ainda to com nojo dele. Segundo meus primos, ele também pegou pedacinhos de vela pra ficar atirando num crânio que ele achou por lá. Ele sim deveria tomar um banho com álcool! (Só pra constar, ele tem 13 anos, não é nenhuma criança).

Depois disso, seguimos todos pra casa da minha avó, onde almoçamos em família e descansamos um pouco antes da corrida. Corrida? A decepção do meu domingo. Tudo ia correndo bem. Faltando 10 voltas pro final eu já tava meio conformado com o título do Hamilton e sabia que só um milagre salvaria o Felipe Massa. Mas eis que o milagre veio na forma de chuva. Nunca torci tanto prum alemão quanto torci pro Vettel nessa corrida. Quando ele passou o Hamilton eu pulei, gritei, bati palma e fiquei em pé esperando a corrida acabar. Mas ninguém contava com o Timo Glock entregando os pontos na última curva, literalmente. E igualmente ninguém notou quando isso aconteceu.

Felipe Massa comemorou o título.
As arquibancadas comemoraram o título.
A Ferrari comemorou o título.

Mas o Hamilton conseguiu o 5º lugar de que precisava e levou o título mundial. Até agora passa na minha cabeça a imagem horrível do pai do Massa comemorando com a Ferrari e depois fechando a cara após descobrir que o Hamilton tinha chegado em 5º, ainda abraçado com todo mundo. Eu preferia que a chuva não tivesse vindo. Se tudo tivesse ficado do jeito que estava antes, com o Hamilton em 4º, eu não teria tido a esperança real do Massa conquistar o título e não teria ficado tão decepcionado quanto eu fiquei.

Mas o dia não estava acabado. Nada disso. Desgraça pouca é bobagem num dia de finados. Conversando com a Aninha no MSN depois da corrida, diante da revolta dela com a derrota parcial do Botafogo por 1X0 para o Atlético MG, eu disse: “agora só falta o fluminense perder pro vasco hoje”. Acho que não é preciso dizer mais nada, né? Mas uma coisa me consola. Meu primo que torcia pro Hamilton foi ao Maracanã torcer pelo Fluminense. Ou seja, ele não viu o Hamilton ser campeão e ainda viu o Fluminense perder pro Vasco, bem feito!

Por fim, só porque nós tínhamos marcado praia pra essa segunda-feira, as nuvens chegaram com direito a trovoadas e tudo e agora a chuva que deu e depois tirou o título do Massa chega aqui ao Condado de Belford Roxo, no Reino Tão Tão Distante.

Melhor eu dormir pra mandar esse climão pesado de finados embora.

Um comentário:

Lucas Conrado disse...

Cara, se seu irmão um dia se juntar com meus primos, saia de perto o mais rápido possível!
Pois é... falando em esportes, nem a vitória do meu amado Galo Mineiro sobre o Botafogo (depois de sete anos), não animou meu domingo... Aquela derrota na Formula 1 acabou com minha alegria esportiva...