quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Coisas que só se vê no trem

Lembram das minhas histórias sobre o trem? Bem, aqui vai mais uma. Essa aconteceu na sexta-feira, no final da semana dos calouros. Eu entrei no trem de 20h45. Fiquei lá sentado lendo o jornal da UFRJ. Aliás, eu tava lendo uma reportagem com entrevista do Moha. Quando de repente, ouve-se uma explosão, o sistema de ventilação do trem desliga e a maioria das luzes se apaga. Algumas pessoas começaram a sair do trem pra ver o que estava acontecendo, mas como o sinal de 1 minuto pra saída começou a apitar, nós voltamos pra dentro. Nessa hora um cara muito alucinado começa a andar de uma ponta do trem à outra reclamando da explosão e falando coisas meio sem sentido. Tudo bem, esse tipo de maluco aparece no trem todo dia. Não me surpreendi quando o cara do sistema de som da Central avisou que “devido a problemas operacionais, o trem com destino a Belford Roxo não daria sua partida” e que deveríamos pegar o trem da plataforma 12, linha M.

Já acomodado no trem que supostamente me traria de volta à minha amada cidade que menos cresce na região metropolitana, voltei a ler o jornal, enquanto o maluco reclamava em voz alta da SuperVia, dos seguranças que não o deixavam andar sem camisa dentro do trem, da explosão, dos caras que o denunciaram pro segurança que ele estava fumando maconha... Daí o trem fechou e eu tive que fingir que não tava vendo aquele maconheiro imbecil (ops, desculpem pelo pleonasmo). Só que o trem ficou fechado e não deu nem sinal de que iria sair, o que começou a deixar as pessoas meio impacientes, principalmente o maconheiro, que não calava a boca. Quando trem abriu as portas e o sistema de som anunciou que o trem pra Belford Roxo sairia da plataforma 11, linha K, foi o caos. As pessoas começaram a correr e o maconheiro ficou louco. Ele começou a incitar o povo à depredação dos trens (lembrando que os trens não são da SuperVia, são do Governo do Estado, portanto patrimônio público) e chegou a começar um vandalismo particular, mas as pessoas estavam mais interessadas em correr pra pegar o outro trem do que em quebrar o que não iria sair. No meio da correria o maconheiro gritava palavrões a torto e a direito, enquanto os seguranças da plataforma 12 só olhavam, sem fazer nada.

Quando eu finalmente consegui entrar no trem da plataforma 11, voltei a ler o jornal. Daí surgiram umas vozes mais exaltadas no fundo do vagão, eu me virei e olhei. Só deu tempo de ver o segurança dando um mata-leão num passageiro e levando o infeliz pra fora do trem. Foi quase uma cena de cinema. Assim que o segurança pegou o cara, as portas fecharam e o trem saiu, como se tivesse sido combinado com o maquinista. Por sorte nesse trem não tinha como passar de um vagão pro outro, então eu não vi mais o maconheiro durante todo o resto da viagem, já que ele pegou um vagão à frente do meu, mas eu espero sinceramente que ele tenha sido retirado do trem com toda a truculência tradicional dos seguranças da SuperVia e sido expulso da Central. É gente desse tipo que dá má fama ao trem.

Ah, sim. Essa brincadeira atrasou a viagem em 17 minutos.

Nenhum comentário: