segunda-feira, 3 de março de 2008

Do topo ao fundo do poço e do poço de volta ao topo.

Lembro como se fosse ontem... Cheguei à casa do meu tio Mário para passar as minhas tradicionais férias de janeiro em Jacarepaguá. Faltava um dia para a divulgação dos resultados do vestibular 2007 da UFRJ, mas como já era esperado, eles liberaram um dia antes. Assim que eu cheguei, só encontrei meu primo Ciro, que também havia prestado o mesmo vestibular, e falei com ele que a UFRJ provavelmente já tinha liberado o resultado. Dito e feito. Entramos no site da UFRJ e lá estava. Peguei meu número de inscrição e...


PASSEI PRA ARQUITETURA E URBANISMO!!! UHUUU!!!


Bem... Na verdade não foi assim que eu comemorei. Estranhamente, eu sempre tive certeza absoluta de que eu iria passar. Presunção minha? Não. Eu estudei o ano inteiro e seria um burro se eu não passasse pra um curso fácil daqueles. Aliás, até hoje me acho uma anta por não ter passado já em 2006. Mas se eu tivesse passado antes, eu não teria conhecido PH, Everton, Carol, Yuri... Enfim, os amigos mais diferentes e doidos que eu já tive. Ops, olha eu já desviando o assunto. Voltando ao rumo. Quando eu vi que tinha passado eu fiquei feliz, mas disse: “Ah, passei”. Meu pai (que tinha me dado carona até Jaca City), pra não ficar atrás no campeonato de frieza mandou um: “Até que enfim” e começou a reclamar das minhas notas, dizendo que eu precisava melhorar em química e blá blá blá... QUE SE DANE A QUÍMICA! EU NUNCA MAIS VOU ESTUDAR ESSA MERDA! (Não, eu não disse isso, mas pensei). Meu primo Ciro viu o resultado dele e descobriu que não passou e meu pai reclamou das notas dele também. Minha comemoração aconteceu uns dias depois quando juntamos um grupão de amigos + primos e fomos a uma pizzaria rodízio (meu primo Renan, o do blog RenanZices, também estava no grupo. Ele já estudava engenharia no Fundão havia um ano).


E assim fui vivendo meu sonho. Eu estava nas nuvens. Eu era aluno da Universidade Federal do Rio de Janeiro! A terceira melhor do Brasil e uma das melhores do mundo! Começaram as aulas e tudo parecia perfeito: gente nova, rotina diferente, lugares interessantes. Tudo maravilhoso. Mas em algum lugar do caminho eu percebi que eu parecia estar no lugar errado e em meados de abril eu já estava meio confuso sobre tudo. Fui ao EREA (Encontro Regional dos Estudantes de Arquitetura) em Vitória (ES) e fiquei ainda mais confuso, porque eu descobri que amava urbanismo, mas me sentia um peixe completamente fora d’água quando estava com outros futuros arquitetos. Sem contar que eu não gostava tanto assim de criar arquitetura, eu gostava (e até hoje gosto muito) de apreciar arquitetura. Voltei pra casa já imaginando que eu iria mesmo sair da faculdade. Falar isso com a minha mãe foi muito difícil, muito mesmo, não imaginei que seria tanto. Mas essa foi uma decisão que eu só tomei em junho, nas últimas semanas de aula. Ainda lembro da reação dos meus colegas: “Você vai largar isso aqui, cara? Pensa bem. Olha tudo o que você ta largando”.


Alguém aí conseguiu captar a gravidade da situação? EU ESTAVA CANCELANDO A MINHA MATRÍCULA NUMA DAS MELHORES UNIVERSIDADES DO MUNDO! EU ESTAVA TROCANDO UM FUTURO CHEIO DE OPORTUNIDADES POR UMA TENTATIVA QUE TINHA GRANDES CHANCES DE DAR ERRADO. Não sei como calcular as chances das coisas saírem errado pra mim, mas juntemos os fatores:


  1. Segundo curso mais concorrido do vestibular.
  2. Nota de corte altíssima.
  3. Enquanto muita gente estava se preparando desde janeiro, eu estava começando a pensar em me preparar em julho, 5 meses antes do vestibular.
  4. Eu só comecei a estudar de fato na segunda semana de outubro.


Resumindo, era mais fácil o Bush chamar o Saddam de “meu amor” do que eu passar no vestibular. Mas quais eram as minhas opções? Era ou o vestibular, ou a particular, coisa que eu não queria, e as que eu queria eu não podia pagar (vide PUC e ESPM). Na verdade eu não poderia pagar nem a Estácio, mas isso não vem ao caso. Vou resumir o que aconteceu nos meses seguintes.


Julho:

Crise com meu pai (que parece não gostar muito de mim, sabe-se lá por que), e relativa calma por causa da distração proporcionada pelos Jogos Pan-americanos.


Agosto:

Desespero completo. Eu não conseguia estudar em casa, os cursinhos de Nova Iguaçu não estavam abrindo projetos e eu não tinha nenhuma perspectiva de vida. Foi um estresse muito grande e uma quase depressão.


Setembro:

Mês do meu aniversário, que foi o pior da minha vida, de longe. A única coisa boa foi a festa, que acabou mais de 5h da manhã e contou com a presença dos meus melhores amigos.


Outubro:

As coisas começaram a voltar aos trilhos, eu voltei ao pré-vestibular onde eu tinha estudado em 2006 e fui me tranqüilizando. Eu me sentia um babaca. Eu me sentia retrocedendo. Em 4 meses eu fui de universitário a vestibulando numa queda meteórica. Fui desmontado como um carro na mão de um traficante.


Novembro:

A hora da verdade. Eu sou muito católico e, no dia anterior à primeira prova da UFRJ, enquanto eu arrumava a minha mochila encontrei um folder de Santo Expedito, o santo das causas urgentes. Não poderia ser mais apropriado. Mas de onde surgiu aquele folder? Até hoje eu não lembro de tê-lo recebido. Sei que quando eu vi o gabarito das provas no dia seguinte eu senti que tinha me saído muito mal. Achei que tivesse feito menos de 15 pontos. No dia seguinte fui à FAU, revi meus amigos e passei uma tarde maravilhosa lá, mas foi muito estranho estar lá sem ter uma sala pra ir, sem ter um trabalho pra fazer, sem ter materiais pra comprar... Era tranqüilizador e medonho ao mesmo tempo. Depois disso só fiz a segunda prova da UFRJ, mas com uma ajudinha muito especial. Já que relógios digitais eram proibidos, levei um relógio analógico com a imagem de Nossa Senhora Aparecida. Sim, eu sei que imagens não têm poder nenhum, mas imagens aproximam. Se imagens fossem inúteis, não guardaríamos fotos daqueles que amamos.


Dezembro:

Não restava nada a fazer a não ser esperar. Tive outra crise com meu pai, curti o Natal e curti o ano novo.


Janeiro:

Foi um mês bem mais divertido. Eu já tinha superado os problemas de agosto e comecei a me divertir um pouco mais, principalmente por causa das notas surpreendentemente altas que eu tirei. Tomei meu primeiro porre (que não foi lá tão porre assim), aprendi a dançar o créu, saí um pouco mais de casa. Enfim, relaxei. Mas sempre tive um pouco de medo do corte ser 43.


Fevereiro:

Simplesmente o mês mais longo da minha vida. Nunca vi fevereiro tão demorado! Depois de já saber que tinha passado no vestibular e ter extravasado tudo sozinho em casa gritando, pulando, dançando e cantando feito um louco, esperei ansiosamente pra que março chegasse logo. Meu carnaval foi uma droga, viajei pra um lugar horrível e os dias passaram como lesmas. Matrícula, inscrição... Cacete, quando começam logo as aulas? Eu sei que faculdade é um estupro mental diário, mas eu estava de férias desde julho! Já chega dessa vida de vagabundo! Nem minha mãe agüentava mais olhar pra minha cara todo dia em casa.

Agora finalmente chegou o grande dia. Um domingo em que eu vou dormir pensando: “amanhã começa tudo de novo”. Esperei nada menos do que 8 meses por isso, 34 semanas, 238 dias... Eu já não gostava de férias, depois disso então.


Graças a Deus, amanhã retomo o rumo da minha vida. O rumo que eu perdi lá em março de 2005, quando decidi ser arquiteto preterindo uma carreira na comunicação.


O mais interessante de tudo, é que passar no vestibular foi uma realização pessoal. Desde o início eu vi isso como um desafio. Um desafio que eu venci! Mas se não fosse pelos amigos, teria sido uma coisa de mim comigo mesmo, myself and I, como diz uma música, mas meus amigos transformaram tudo em algo ainda mais especial. Eu me senti passando de vergonha da família a herói de Hollywood.


Uma prima e uma amiga dela que eu não conheço:

Prima – Ela é a mãe do Maurinho, aquele que eu te falei.

Amiga – Aquele que eu acho lindo?

Prima – É. E que passou na UFRJ duas vezes.


Minha prima Morena (economia UFF) e meu primo Renan (engenharia UFRJ):

M – Maurinho é filho da puta. Passou duas vezes!

R – Pois é. E essa teve gostinho de volta por cima.


Professora de literatura do pré-vestibular:

Gente, no ano retrasado eu dei aula pra um aluno que queria arquitetura. Ele passou pra UFRJ e no ano passado eu encontrei com ele aqui no curso de novo. Ele disse que tinha largado a faculdade e agora ele passou de novo, pra comunicação social. Ele é um exemplo pra vocês.


Fora os amigos que ficam me lembrando o tempo inteiro que eu passei duas vezes, que eu vou ser âncora da Globo, da CNN, que eu vou ter minha própria agência de publicidade.


O que seria de mim sem meus amigos?


Bem, assim encerro esse post gigantesco. Sei que infelizmente eu não fui o primeiro e nem o último a passar pelo que eu passei nos últimos meses, mas é a vida, né? Sem contar que nem todos conseguem passar de novo. Um colega que abandonou arquitetura um ou dois meses antes de mim não conseguiu passar pra comunicação, uma pena.


Mas então é isso. E que venha o trote!

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

As Primeiras Memórias

Primeiramente vou explicar de onde surgiu esse blog. Quem me conhece sabe que eu sempre gostei muito de escrever. No ano de 2007, quando fiz um diário de viagem durante o Encontro Regional de Estudantes de Arquitetura em Vitória (ES), passei a gostar ainda mais e descobri como é bom guardar memórias escritas dos momentos pra que eles não sejam esquecidos (pelo menos por mim). Mas não teria graça escrever as memórias e não ter ninguém pra ler, então resolvi criar esse blog. Mesmo que ninguém o leia, o fato dele ser público já me dá a ilusão de que alguém lê.

Ah, o principal requisito para a criação do blog era a minha aprovação no vestibular pra comunicação social na UFRJ. Dever cumprido.

Mas ok, vamos ao que importa: As Primeiras Memórias.

No dia 20 de fevereiro de 2008 os calouros do curso de comunicação social da UFRJ foram ao Palácio Universitário, na Praia Vermelha, fazer suas inscrições nas disciplinas, mas bem, se você está lendo isso, você provavelmente sabe do que eu estou falando e talvez tenha até estado lá.

Ainda não sei se dou a esse post um caráter informativo, descritivo, informal... Bem, dane-se. Vou escrevendo e ver o que sai. Vou escrever a história do meu ponto de vista e isso é provavelmente o que eu vou fazer em todos os próximos posts.

Sem mais delongas. Cheguei ao campus da Praia Vermelha ontem quando já era quase meio-dia. Ainda longe das escadas da ECO eu percebi que eu havia sido reconhecido por uma figura estranha. Ao me aproximar, cumprimentei o desconhecido e perguntei: "Quem é você?". Era o Dario (que ao longo do dia teve seu nome deliberadamente mudado para Dário). Ao lado dele estava o Gabo, que não foi difícil reconhecer. Mais uns passos e revi Aninha, que eu havia conhecido num show em outubro de 2006. Fiquei na fila esperando a minha vez e chegou uma menina que de cara eu não reconheci. Pensei em puxar assunto com ela, mas não sei porque não o fiz. Quando chegou a nossa vez eu descobri que ela era a Natassja. É uma menina simpática.

Certo. Inscrição feita, juntaram-se veteranos e calouros e foram todos ao famoso Sujinho.

Já no bar, juntamos mesas e cadeiras e demos um tempo bebendo cerveja (nem todos beberam, mas pela quantidade de cerveja comprada, dava pra dizer que cada um ali tinha bebido no mínimo três garrafas). Um tempo depois, nós, calouros, fomos “convocados” a fazer uma apresentação de cada um, que demorou um pouco, mas foi divertida. Depois da apresentação ainda rolou uma brincadeira de “Eu Nunca”. Altas revelações! Teve muita gente que bebeu em situações comprometedoras e ninguém percebeu.Após as brincadeiras, começou uma dispersão e Aninha, Vanessa e eu resolvemos procurar a tal sala da EC1 que tanto falavam na comunidade. Mas depois de várias voltas no palácio e ajuda de alguns funcionários percebemos que o mural que informa em que sala se estuda cada matéria ainda não estava pronto e só estaria no primeiro dia de aula. Aliás, chegamos a nos perder diversas vezes dentro daqueles corredores (mais calouro impossível). É incrível como é difícil de andar naquele lugar, ele não é intuitivo. Mas acho que não é nada que uns meses ali dentro não resolvam.

Voltamos ao Sujinho e percebemos que havia uma grande dispersão e todos já estavam indo embora. “Bem, então vamos embora também”. “Mas antes podemos dar uma passadinha no RioSul”. Ah, tudo bem, ninguém tinha nada pra fazer mesmo. Vamos lá. E lá fomos nós três andar no shopping. Quando paramos na praça de alimentação pra conversar, vimos um grupo de calouros e veteranos chegando: Dario, Gabo, Cibele e mais três ou quatro pessoas que eu não lembro o nome. Nos juntamos a eles e mais veteranos chegaram depois. Conversamos muito e rimos mais ainda. Acho que vou gostar muito de estudar com essa galera.

Quando nos preparávamos pra ir embora (isso já era quase 18h), um veterano sugeriu: “Vamos voltar à ECO pra última cerveja”. Ah, tudo bem, ninguém tinha nada pra fazer mesmo. Vamos lá. Voltamos e fomos extorquidos mais algumas vezes, mas o dinheiro que eu tinha eu não podia dar porque não era meu. Falências à parte, o pessoal ainda conseguiu beber mais um pouco e jogar sueca até escurecer. Já era mais de 18h e quando pensamos em ir embora pensamos: “O trânsito ta uma droga, melhor esperar um pouco até melhorar”. Ah, tudo bem, ninguém tinha nada pra fazer mesmo. E joga, e bebe, e conversa. E quando vimos já era 19:30... Ei, eu moro em Belford Roxo! O trem não é 24h! Tenho que ir pra casa e ainda tem o jogo do Fluminense pra ver. Finalmente começamos a nos mover pra ir embora, mas sabe como é, né? Para aqui, para ali... Até a gente chegar no ponto de ônibus já era mais de 20h.
Me despedi do Dario, da Vanessa (essa menina ainda vai me fazer rir muito nessa faculdade) e da Aninha e segui meu rumo até Belford Roxo. Confesso que fiquei impressionado com a beleza de Botafogo e do Flamengo à noite. Só de imaginar que eu vou ver isso todos os dias pelo menos até o meio do ano que vem me deixou muito animado.

Ontem foi sem dúvida um dia excelente. Começamos muito bem! Eu fiquei bastante animado pra essa faculdade. Gostei das pessoas que encontrei lá e também de tudo o que eu vi. Agora é só esperar pelo trote e ver no que dá.

Até lá.